quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Levar carne na mala para o Japão pode terminar em prisão; veja os riscos

Autoridades japonesas alertam viajantes sobre restrições sanitárias e consequências legais de transportar produtos de origem animal na bagagem

fiscalização nos aeroportos
Levar carne, linguiça, presunto ou outros alimentos de origem animal na bagagem ao entrar no Japão pode resultar em apreensão dos produtos e até prisão.

As autoridades japonesas estão reforçando a fiscalização nos aeroportos para impedir a entrada da peste suína africana, uma doença altamente contagiosa que ameaça a criação de porcos e a indústria de alimentos.

Um caso recente mostra a gravidade das restrições. Uma chinesa de 47 anos foi presa sob suspeita de tentar introduzir ilegalmente no Japão cerca de 21 quilos de salsichas produzidas na China.

Segundo a polícia de Osaka, ela teria recebido uma proposta pelas redes sociais para transportar os produtos em troca de uma recompensa de aproximadamente 4.800 ienes.

A mulher teria colocado as salsichas em caixas dentro de suas malas. Durante a investigação, afirmou que não sabia que os produtos continham carne. O caso é investigado como possível atividade de transporte ilegal de mercadorias mediante pagamento.

Cães farejadores identificam alimentos proibidos
No Aeroporto Internacional de Kansai, cães especialmente treinados ajudam os fiscais a localizar produtos de origem animal nas bagagens.

Em uma fiscalização realizada na terça-feira (27), um labrador chamado Gayo, de 3 anos, identificou uma mochila que continha um recipiente com ensopado preparado com carne.

A passageira, que chegava da Espanha, explicou que sua mãe havia preparado a comida para a viagem, mas ela não conseguiu consumir o alimento durante o voo.

Mesmo nessas circunstâncias, produtos de origem animal que não atendem às exigências sanitárias não podem entrar no Japão e são confiscados para destruição.

De acordo com os responsáveis pela quarentena animal, o simples cozimento doméstico não garante a eliminação de todos os agentes causadores de doenças. Por isso, as restrições também abrangem alimentos preparados, processados ou destinados ao consumo pessoal.

Peste suína africana ameaça produção e importações
A principal preocupação é a peste suína africana, doença viral que afeta porcos e javalis e pode provocar elevada mortalidade entre os animais infectados. O vírus pode ser transportado por produtos contaminados e materiais que tiveram contato com ele, incluindo calçados.

Os efeitos já atingem o comércio internacional. O Japão suspendeu a importação de presunto cru espanhol em novembro de 2025 devido à doença.

Em restaurantes especializados em culinária espanhola, existe preocupação com a disponibilidade do produto a partir de 2027, quando os estoques autorizados anteriormente poderão se esgotar.

Nas granjas japonesas, a prevenção envolve medidas rigorosas, como troca de roupas e botas, desinfecção das mãos e controle de entrada nas instalações.

Em uma criação de porcos em Shiga, o responsável explicou que a introdução de doenças infecciosas pode comprometer toda a atividade econômica da propriedade.

Atenção ao retornar de viagens internacionais
Para brasileiros que viajam ao exterior e retornam ao Japão, a orientação é não colocar carnes ou produtos que contenham carne na bagagem sem verificar previamente as regras de quarentena animal.

As restrições podem atingir linguiças, salames, presuntos, salsichas, carne seca e alimentos preparados com ingredientes de origem animal.

O fato de o alimento estar embalado, cozido, congelado ou ter sido comprado em um estabelecimento comercial não significa que sua entrada seja permitida. A importação de carnes e derivados é, em princípio, proibida para viajantes, salvo quando cumpridas as exigências sanitárias aplicáveis.

O descumprimento das regras pode resultar na apreensão dos produtos e, em situações graves, em investigação criminal e prisão.

As autoridades alertam que uma atitude aparentemente simples, como transportar comida para familiares ou conhecidos, pode colocar em risco a pecuária japonesa.
Fonte: Portal Mie com Kansai TV, FNN Prime Online, YM e Governo da Província de Chiba

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